Sindicato dos Ferroviários da Sorocabana

História

Diretor Orlando Crocce

A história da entidade dos ferroviários da Sorocabana nasce por volta de 1914. Antes disso, em 1875, a Estrada de Ferro foi criada e, em 1937, teve sua expansão contínua. A ferrovia surgiu para viabilizar a exportação de algodão da região em que Sorocaba se destacava como cidade comercial tradicional. Essa função pouco pôde ser levada adiante devido à crise que a forte concorrência norte-americana trouxe para a exportação algodoeira regional.

A história daqueles que instalaram os trilhos e os mantiveram transitáveis, que fizeram as máquinas funcionarem, deram manutenção, fazendo os trens percorrerem as linhas, começou a ser contada. São histórias fragmentadas, contando a vida cotidiana de trabalhadores cientes de sua importância no desempenho de funções que fizeram a grandeza da empresa e colaboraram com a criação de riquezas, realizando seu transporte.

Confira uma breve história da categoria no vídeo abaixo

Os ferroviários tinham a consciência da importância de trabalhar nos trilhos, percorrendo e, sobretudo, levando as cargas até o destinatário final. O transporte desses produtos para os portos ou deles para o interior do país, só poderia ser feito com maior eficiência, através da ferrovia. Nessa época já era forte a exploração do trabalhador por parte da empresa.

Progresso sorocabano entre os trilhos

Os trabalhadores, durante o ano de 1897, tiveram a necessidade de criar entidades destinadas ao auxílio do ferroviário. De início era de ajuda ou socorro mútuo: seguro saúde, auxílio educacional, subsídio de funeral para seus sócios e, ainda, principalmente, de previdência coletiva. Esses auxílios foram instalados porque o sistema social de saúde e outros benefícios para o trabalhador, na década de 1920, eram para poucos. Foram criadas várias categorias, que sempre tiveram enormes dificuldades financeiras para cumprir suas missões.

Entre os anos de 1914 a 1919, os trabalhadores da estrada de ferro viveram extensas jornadas de trabalho que entre os maquinistas chegava a 16 horas diárias. Além disso, defasagem salarial e insegurança no trabalho, com frequentes acidentes – alguns até fatais.

Para que esse quadro fosse mudado, foram denunciados esses problemas aos jornais operários e, ainda, pediram a intermediação de políticos e de autoridades, especialmente de delegados de polícia. No século 20, os delegados de polícia, além de exercerem suas funções de segurança pública, muitas vezes eram requisitados para resolverem ou ajudarem a encontrar soluções para questões sociais e trabalhistas.

As primeiras greves dos ferroviários envolvendo trabalhadores de Sorocaba, Mairinque, Piracicaba e Botucatu, foram as de 1914 e 1919. Ambas terminaram vitoriosas, sendo que pouco depois do encerramento da última, segundo o histórico do sindicato, o Governo do Estado de São Paulo rompeu o contrato de arrendamento da Sorocabana com o consórcio internacional Sorocabana Railway, encampando-a até a criação da FEPASA, em 10 de Novembro de 1971. Sob administração estatal desde o final de 1919, a Estrada de Ferro Sorocabana, como passou a denominar-se, teve um de seus períodos mais prósperos.

Em 1932, com a Revolução Constitucionalista, um movimento armado ocorrido no Estado de São Paulo, tinha como meta a derrubada do governo provisório de Getúlio Vargas e, principalmente, a promulgação de uma nova constituição para o Brasil. E durante esse ano o Sindicato dos Ferroviários da Estrada de Ferro Sorocabana oficialmente foi criado, sendo reconhecida pelo Ministério do Trabalho, um ano depois, em 1933. Os anos foram passando, e em 1941, o sindicato se tornou um dos maiores associações da América do Sul, em número de associados, cerca de onze mil trabalhadores.

Essa força social do Sindicato dos Ferroviários da Estrada de Ferro Sorocabana acabou entrando em força política, o então secretário do sindicato, Armando Avellanal Laydner, se tornou presidente da entidade. Os socialistas de influência tenentista de esquerda, os comunistas e os getulistas viram que o sindicato estava ficando rica e poderosa, disputaram agressivamente entre sai direção da associação. Segundo o diretor da entidade, Orlando Crocce, cada grupo queria influenciar o enorme conjunto de trabalhadores conforme suas orientações políticas e ideológicas, alguns contra o Governo Vargas e o integralismo, levando-os a participar da Aliança Nacional Libertadora e do PCB até 1935, outros os apoiadores de Vargas. Os getulistas acabaram vencedores com a prisão e esfacelamento de seus opositores entre 1935 e 1937, início do Estado Novo.

Eleições

O grupo ferroviário teve grande influência no campo político de vários municípios, por exemplo, Sorocaba. Alguns foram vereadores da cidade, contanto apoio forte da entidade.

Em 1940, o governo Varges fecha o sindicato. Onze anos depois, em 1951, foi criada a União dos Ferroviários da Estrada de Ferro Sorocabana. Em 1971 nasce a Associação Profissional dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias da Zona Sorocabana, única entidade registrada na Delegacia Regional do Trabalho do Estado de São Paulo. Três anos de luta, em 1974, é reconhecido pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social (M.T.P.S.).

Trajetória de Orlando Crocce na entidade

Comunicação

Desde 1983 que o Sindicato dos Ferroviários da Sorocabana atende a sua categoria por meio de um boletim informativo impresso. O jornal titulado como O Sorocabano tem tiragem de cerca de dois mil exemplares. O jornal é distribuído à comunidade bimestralmente, antigamente era mensalmente. De acordo com o diretor da entidade, Orlando Crocce, esse tipo de comunicação é necessário para qualquer categoria.

Diretor fala da história do jornal da categoria

Antes de ter esse jornal, como recorda Crocce, a entidade divulgava os assuntos da categoria com faixas e alguns escritos a mão e colado na sede do sindicato ou nos lugares que os ferroviários ficavam. Além do informativo impresso, o sindicato se comunica com a categoria por meio de um site – quem cuida do portal é em Osasco.

Informativos da categoria nas décadas de 1960 a 1970

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