História Sindical Sorocaba

Desde o início da construção da ferrovia em 1872 e de outras fábricas que a cidade de Sorocaba começou a ter seus primeiros operários. O proletariado de Sorocaba tem a mesma base do operário da capital do Estado, isto é, parte do operariado constituído por população da cidade; migrantes do campo e de outras partes do país e imigrantes estrangeiros.

No Estado de São Paulo, em 1906, acontecem os movimentos de confronto: os socialistas, que tinham como meta organizar entidades que dessem suporte ou mesmo que servissem de objeto de criação de um partido socialista; o outro era os Anarcossindicalistas (ou sindicalistas revolucionários), pregavam uma luta estritamente econômica entre trabalhado-capital, que deveria ser organizada pelo sindicato (COUTINHO, 2006, p. 66).

No mesmo ano esse movimento revolucionário se implanta em Sorocaba. Segundo o historiador Adalberto Coutinho, “sua organização e seus feitos significavam muito para a organização do operariado e para a evolução de sua luta”. (2006, p. 66)

Praticamente tudo o que sabemos sobre a atuação dessa corrente na cidade é proveniente das páginas do Jornal O Operário que foi publicado durante o período de julho de 1909 a janeiro de 1913. São páginas que combatem duramente o capitalismo e fazem um grande trabalho de conscientização classista no meio operário, superando em muito os feitos dos antigos socialistas. (COUTINHO, 2006, p. 66)

O jornal tinha como base denunciar o capitalismo e esclarecer os direitos dos proletariados para o trabalhador. O jornal interrompeu sua impressão em 1913, sem informações do por que desse fechamento.

Mesmo sem um jornal atuante, o movimento operário continuava unido e, sobretudo, organizado. Em 1914, as empresas de Sorocaba entram em uma crise. No mesmo ano, em 8 de agosto, resolvem ser reunir na Câmara Municipal de Sorocaba, para combater a crise sobre a economia nacional. “Frank Speers, diretor da fábrica Santa Rosália, discursou sobre os problemas, sendo um deles o fato de terem fechado alguns bancos do país afora” (COUTINHO, 2006, p. 118). A medida foi fechar as portas e parar a produção, o que resultaria em desemprego.

E no final de 1914, os ferroviários entram em greve. Cem operários ficam parados e, consequentemente, as linhas férreas estavam sem trabalhador para conduzir o trem. Só houve uma escapatória nesse manifesto, pagar os salários atrasados e dar boas condições aos maquinistas.

Comunicação Sindical

Segundo o texto de Claudia Santiago e Vito Giannotti (1999), a comunicação sindical de cem anos atrás ou a de hoje manteve características quase idênticas.

A comunicação sindical começa por meio de um jornal, panfleto, comícios e bandeiras. “Essa comunicação tinha a função de divulgar ideias, planos e projetos dos trabalhadores” (GIANNOTTI, 1999, p. 13). As ferramentas da comunicação mudaram conforme os séculos foram se passando. Os autores (1999) colocam que o campo da comunicação sindical pode ser dividido em dois princípios: comunicação escrita e irradiada.

Em 1922, chega o rádio: um mecanismo muito usado pelas entidades sindicais.

Para milhões de trabalhadores é muito mais prático ouvir rádio do que assistir televisão. Inúmeros trabalhos são feitos enquanto se ouve rádio. Centenas de operações, nas mais variadas profissões, podem ser feitas embaladas pela voz de um locutor. (GIANNOTTI, 1999, p. 24)

Às vezes esse meio é melhor do que enviar um e-mail ou um fax ao trabalhador, para que ele saiba como está sendo o processo de alguma greve, a luta da jornada de trabalho. No mesmo poder que a rádio, está também o “carro de som”. Pode ser usado de forma simples, no entanto, pode ter uma capacidade potencializada para transmitir a notícia ao trabalhador. “[…] o carro tiver instalado com vídeo, poderá ser usado para passar uma fita vincule determinadas ideias daquela campanha ou daquela greve” (GIANNOTTI, 1999, p. 25).

Além do jornal impresso, do rádio e do vídeo, os sindicatos usam, por meio da internet, o blog e o site, e também ferramentas sociais como Facebook, Orkut e Twitter. Todos esses elementos ajudam as entidades sindicais a levaram mais informações aos trabalhadores e para os interessados pela categoria.

Não há sindicato sem jornal

Para os autores Claudia e Vito (1999), não há uma central sindical sem um jornal impresso. Eles querem dizer que é necessário ter um folhetim, um boletim, um jornal que seja impresso para divulgar as informações que estão ocorrendo no sindicato. É por meio desse meio de comunicação que os dados, as discussões e políticas da categoria serão levados com segurança e rapidez ao trabalhador.

Cada categoria fala exclusivamente da sua. Claudia e Vito (1999) apontam que os jornais sindicais deveriam retratar não apenas de si, e sim outras questões do cotidiano. O jornalista sindical é um profissional que optou por colocar o seu trabalho a serviço de uma classe (GIANNOTTI, 1999, p. 134). Entendemos assim que o trabalho é feito parcialmente, porque está defendendo os interesses de uma das classes da sociedade.

Portanto, mesmo o sindicato defenda um só propósito, é necessário também mostrar, por meio do jornal impresso, outras informações do cotidiano para o trabalhador ficar por dentro.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s